terça-feira, 3 de novembro de 2009
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
solidão absoluta é isto!
Para mim é uma perplexidade que simplesmente não compreendo.
Como é possível, alguém morrer num apartamento e o seu corpo apenas ser encontrado dois anos após?
Tinha família, dizem.
Os vizinhos não notaram nada, afirmam.
Como é possível, alguém morrer num apartamento e o seu corpo apenas ser encontrado dois anos após?
Tinha família, dizem.
Os vizinhos não notaram nada, afirmam.
Um homem morreu na completa solidão. Tal, ainda se entende. Pode acontecer a qualquer um não ter com quem compartilhar o seu último acto.
Porém, que ninguém se tenha apercebido que este homem já não existia e que já não fazia parte das suas vidas, é que eu não compreendo. Nem a mulher ou os filhos, nem um amigo, um conhecido que fosse, nem o homem da padaria ou da tabacaria ou porventura o vizinho do rés-do-chão posterior. Ninguém sentiu a falta deste homem.
Como é possível? Que alguém tenha morrido num apartamento de um prédio de 03 ou 04 andares e ninguém, absolutamente ninguém, tenha notado a sua ausência, o seu silêncio.
Um esquecimento tão total, uma indiferença tão absoluta que causa mágoa.
Desculpem, mas esta custa-me mesmo “a engolir”.
E acreditem ou não, chorei por esse homem desconhecido e pela sua solidão atroz.
Vivemos num mundo que qualquer história que imaginação fértil invente, não supera a realidade nua e crua dos quotidianos.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
lua cheia...
É contemplando-a que alcançamos os olhos dos outros...
terça-feira, 22 de setembro de 2009
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
terça-feira, 15 de setembro de 2009
o papagaio de papel
E
se o meu peito se abrisse de par-em-par
e ele próprio fosse
uma janela aberta ao mundo?
E
se do meu peito rasgado não jorrasse sangue
nem se descortinassem músculos
ou sequer o coração
mas se transformasse, peça-a-peça
num enorme papagaio de papel?
E
se alguém –simplesmente-
cortasse a aorta como quem corta
o cordel do enorme papagaio de papel
em que se transformasse o meu peito?
E
se o meu peito transformado ave
se soltasse em direcção ao céu?
Livre, livre…
sábado, 12 de setembro de 2009
a escola dos meninos perdidos...
mas a imagem poderia ter sido captada noutra qualquer ou até numa das dúzias de aldeias igualmentes esquecidas que povoam a minha serra da Lousã...
imagens de escolas em terras perdidas de mestres, de meninos, de gente...
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
com a torga à cabeça...
Com a torga à cabeça -raiz pesada da urze das encostas da serra do Alvão- a mulher posa para a fotografia. Desinibida e feliz por ser importante para mim.
Naquele preciso momento, faz-me feliz por a registar e sente-se feliz por a acharem bonita -que faço questão de lhe afirmar e louvar a beleza!-.
Os seus traços rudes mostram a crueza da vida e tornam-na perfeita aos meus olhos...
sábado, 5 de setembro de 2009
O Burro Xico...
O Burro Xico mora para ali para os lados de Miranda do Corvo,
no Centro Hípico da Quinta da Paiva...
Se existe criatura à face da Terra com a qual me identifique é com o Burro Xico...
Meigo...
Fiel...
Teimoso... (Tenaz? Persistente?)
Inteligente...
Constante...
sempre burro, todavia...
É certo que não fala, que não pensa
Se existe criatura à face da Terra com a qual me identifique é com o Burro Xico...
Meigo...
Fiel...
Teimoso... (Tenaz? Persistente?)
Inteligente...
Constante...
sempre burro, todavia...
É certo que não fala, que não pensa
-dizem!-
mas gosta das minhas cenouras e...
mas gosta das minhas cenouras e...
dos meus afagos...
O Burro Xico é um amigo para a vida...
O Burro Xico é um amigo para a vida...
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
terça-feira, 25 de agosto de 2009
e todo o mundo lá fora...
Não basta abrir a janela
para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada e, todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.
para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada e, todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.
[de Fernando Pessoa, em Ficções do Interlúdio]
domingo, 26 de julho de 2009
notícias de uma nuvem mais a Norte...
Desejar ser feliz é uma frase-feita que não me serve
Ser feliz não está mais à frente no tempo e no espaço
está aqui e agora dentro de mim.
O que procuro não é a Felicidade…
Essa, encontro-a num dia de praia com amigos de sempre
na imagem que registo da flor singela de beira de caminho
Ser feliz não está mais à frente no tempo e no espaço
está aqui e agora dentro de mim.
O que procuro não é a Felicidade…
Essa, encontro-a num dia de praia com amigos de sempre
na imagem que registo da flor singela de beira de caminho
no regato de montanha, na frescura das manhãs,
no sol que nasce na janela do meu quarto e me tira todos os dias do torpor dos sonhos cálidos,
no abraço, agora imaginado, do meu pai ou no beijo de amor da minha filha
num cheiro, num sabor, num toque, num som, numa recordação…
Sou muito feliz em muitos momentos do meu dia.
Encontro-a –à felicidade- por aqui e por ali.
Sou feliz todos os dias, aos pedacinhos.
O que busco é a simplicidade de Ser
um sossego desassossegado
que me mantenha ao mesmo tempo em paz e em efervescência
O que busco é a aventura de saber viver a vida.
As asas crescem um pouco a cada dia que passa
por vezes, esse crescimento dói bastante, choro até, entristeço-me e questiono-me se vale a pena aprender a voar... se o chão não será, porventura, mais seguro e pacato…
no abraço, agora imaginado, do meu pai ou no beijo de amor da minha filha
num cheiro, num sabor, num toque, num som, numa recordação…
Sou muito feliz em muitos momentos do meu dia.
Encontro-a –à felicidade- por aqui e por ali.
Sou feliz todos os dias, aos pedacinhos.
O que busco é a simplicidade de Ser
um sossego desassossegado
que me mantenha ao mesmo tempo em paz e em efervescência
O que busco é a aventura de saber viver a vida.
As asas crescem um pouco a cada dia que passa
por vezes, esse crescimento dói bastante, choro até, entristeço-me e questiono-me se vale a pena aprender a voar... se o chão não será, porventura, mais seguro e pacato…
Contudo, decidida saltei para cima das nuvens, tentando fugir de mim, tentando encontrar-me... Tenho andado por aí a vaguear, vendo o mundo do lado de cima e vendo coisas que nunca tinha vislumbrado.
Ando por aí. Fazendo o que sei e o que não sei. Sendo o que sou e o que nunca fui. Tenho aprendido qualquer coisa... em ritmo lento de saborear. Tudo é lento. É lento o olhar, é lento o sentir. Seguro, porém.
Mas, as nuvens ameaçam dissipar-se e já não aguentar o meu peso
e aproxima-se célere o momento em que terei de me soltar no ar e, obrigatoriamente, aprender a voar...
e flutuar no nada (ou no tudo?)
e berrar bem alto sobre o vale verde
e perder todo o medo.
Ando por aí. Fazendo o que sei e o que não sei. Sendo o que sou e o que nunca fui. Tenho aprendido qualquer coisa... em ritmo lento de saborear. Tudo é lento. É lento o olhar, é lento o sentir. Seguro, porém.
Mas, as nuvens ameaçam dissipar-se e já não aguentar o meu peso
e aproxima-se célere o momento em que terei de me soltar no ar e, obrigatoriamente, aprender a voar...
e flutuar no nada (ou no tudo?)
e berrar bem alto sobre o vale verde
e perder todo o medo.
O dia para aprender a voar está marcado.
Porém a aventura de viver
-essa!-
não a sei sentir sozinha!
não a sei sentir sozinha!
terça-feira, 14 de julho de 2009
darei notícias... se conseguir...
Parto...
agora, à noitinha...
fecho as janelas-que-não-abri,
atiro-me para cima das nuvens e deixo-me ir...
atiro-me para cima das nuvens e deixo-me ir...
Nada me prende...
já não há sonhos nos sítios onde tenho vivido
e
sem sonhos
tudo perde o sentido.
Sigo caminhos... outros!
não sei quais...
outros caminhos!
qualquer um ...
até onde as nuvens me levarem...
em busca de mim em qualquer lugar.
Noutro lugar.
Noutro lugar.
Caírei, por aí, junto com as gotas mais grossas de chuva...
regarei os campos
e enterrar-me-ei em terra fofa e fértil
criarei novas raízes
e darei notícias,
se conseguir!
Parto agora...
à noitinha...
Adeus
Parto agora...
à noitinha...
Adeus
segunda-feira, 13 de julho de 2009
ao meu jeito (4)... ao jeito da própria vida?
Sándor Marai
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Autoria e Agradecimento
Todos os textos e imagens são de autoria de Ana Souto de Matos.
Todos os direitos estão reservados.
São excepção as fotografias do Feto Real e do Cardo que foram cedidas pelo João Viola. As raras imagens captadas na Net com e sem identificação de autor, encontram-se devidamente referenciadas.
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São excepção as fotografias do Feto Real e do Cardo que foram cedidas pelo João Viola. As raras imagens captadas na Net com e sem identificação de autor, encontram-se devidamente referenciadas.

