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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

...Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos....



de Manoel de Barros

O APANHADOR DE DESPERDÍCIOS (excerto)
.........

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que as dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
(...)
Só uso a palavra para compor os meus silêncios.
Manoel de Barros

quinta-feira, 28 de maio de 2015

A vida só é simples quando se decide por si mesma!

 Gostava de ter a capacidade de me disciplinar, de não me perder com tanta facilidade provocada pela distracção natural na contemplação da natureza que me envolve e de ter alguma sabedoria para, tão somente, extravasar todos os olhares e sentires que recolhi, absorvi e transformei, recriando-os em palavras com algum sentido tanto para mim quanto para os outros.


Gostava de saber compor de forma mais sublime as histórias que imagino, que vivo, que observo...careço talvez de alguma maturidade… fazer algo de medíocre é um receio que me avassala e condiciona. Já tive tempo para as tentativas e para os erros fortuitos. Não ambiciono a perfeição, ambiciono o entendimento, talvez até mais além do que isso, ambiciono a simplicidade. Serei sempre um ser solitário nessa busca incessante de um qualquer-coisa-de-quê porventura já achado e já perdido, porventura resguardado, porventura ainda por descobrir.
A vida só é simples quando se decide por si mesma!


Autoria e Agradecimento

Todos os textos e imagens são de autoria de Ana Souto de Matos.

Todos os direitos estão reservados.

São excepção as fotografias do Feto Real e do Cardo que foram cedidas pelo João Viola. As raras imagens captadas na Net com e sem identificação de autor, encontram-se devidamente referenciadas.