quarta-feira, 24 de maio de 2017

...O Mundo é um lugar estranho...



O Mundo às vezes magoa-me ao contrariar-me na minha visão de ser e de estar.

Ofende-me ao amputar-me os sonhos de uma Humanidade de Bem.

Susceptibiliza-me ao turvar o meu jeito de acreditar nas coisas e nas pessoas, em que prevalece o sentido do que é belo ou gentil ou luminoso ou terno ou tolerante ou na mesma linha de conduta, princípios e valores que se aprenderam e interiorizaram como válidos e próprios, numa cumplicidade de respeito e integridade pela Natureza, por nós e pelos outros.

O Mundo ofende-me ao fazer o elogio da pura maldade, da violência, da intolerância, da incompreensão, aberrações ao meu sentido quase estético de O idealizar.

O Mundo melindra-me com o seu mistério de construção que implica atrocidades e desvarios e que me constrange em perplexidades perante a pura iniquidade.

Quem definiu os conceitos? Como se estabilizaram estes, ao longo de todos os tempos, em torno do que foi e é considerado o Bem ou o Mal se o que prevalece é o negro e este impera sobre tudo como névoa nefasta?

O Mundo destrói-se a si próprio.

Não sou utópica, não sou ingénua. 
Para haver o entendimento do sentido das coisas há que compreender a contradição, o reverso, a antítese, muitas vezes os “antípodas” das acepções do que existe ou pode existir, dos factos, dos acontecimentos, da própria espécie.

Contudo, há dias em que não é fácil acreditar em quer que seja, sobretudo perante um mundo doente, cada vez mais doente em que a metástase da doença se propaga funestamente a rapidez sónica.

Talvez seja esse o propósito: a inexorável destruição final e, a visão do Apocalipse há séculos anunciada, seja a verdadeira solução que determina uma nova era. 

Terminarmos, enfim, numa grande Nova que dê origem a uma outra e renovada dimensão, porventura sem conceitos que a rotulem e condicionem.

É este o Mundo que criámos à imagem e semelhança dos mesquinhos mortais que somos?




















domingo, 21 de maio de 2017

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Viver é...





















Viver é..


Viver é uma peripécia. Um dever, um afazer, um prazer, um susto, uma cambalhota. Entre o ânimo e o desânimo, um entusiasmo ora doce, ora dinâmico e agressivo. 

Viver não é cumprir nenhum destino, não é ser empurrado ou rasteirado pela sorte. Ou pelo azar. Ou por Deus, que também tem a sua vida. Viver é ter fome. Fome de tudo. De aventura e de amor, de sucesso e de comemoração de cada um dos dias que se podem partilhar com os outros. Viver é não estar quieto, nem conformado, nem ficar ansiosamente à espera. 
Viver é romper, rasgar, repetir com criatividade. A vida não é fácil, nem justa, e não dá para a comparar a nossa com a de ninguém. De um dia para o outro ela muda, muda-nos, faz-nos ver e sentir o que não víamos nem sentíamos antes e, possivelmente, o que não veremos nem sentiremos mais tarde. 
Viver é observar, fixar, transformar. Experimentar mudanças. E ensinar, acompanhar, aprendendo sempre. A vida é uma sala de aula onde todos somos professores, onde todos somos alunos. Viver é sempre uma ocasião especial. Uma dádiva de nós para nós mesmos. Os milagres que nos acontecem têm sempre uma impressão digital. A vida é um espaço e um tempo maravilhosos mas não se contenta com a contemplação. Ela exige reflexão. E exige soluções. 
A vida é exigente porque é generosa. É dura porque é terna. É amarga porque é doce. É ela que nos coloca as perguntas, cabendo-nos a nós encontrar as respostas. Mas nada disso é um jogo. A vida é a mais séria das coisas divertidas. 

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum' 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

...Verde, que te quero Verde...


Afã...em prenúncio de Primavera!


...há sempre um rio, uma ribeira, um riacho que seja...




que corre dentro de mim...



Linha de Vida... (65).... [Há sempre uma outra opção]


...delicadeza... (2)





...Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos....



de Manoel de Barros

O APANHADOR DE DESPERDÍCIOS (excerto)
.........

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que as dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
(...)
Só uso a palavra para compor os meus silêncios.
Manoel de Barros

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

O TEMPLO...


Muitos refugiam-se na Igreja para encontrar a serenidade do seu Deus. Não contesto. Cada um tem a sua forma de se chegar perto!

Há muito que o meu templo de Paz é a Natureza, simultaneamente, espaço e divindade, assumindo género feminino na acepção, lugar amplo -sem fronteiras de janelas, teto ou chão- extensão profusa de vida.

Sou uma privilegiada, não preciso de calcorrear grandes caminhos para encontrar dessa paz que só a Natureza-Mãe me sabe conferir.

Basta-me –quase ao lado dos quotidianos- prosseguir ao encontro da serra, com a sua floresta e rios. Então, aí, longe por algumas horas de qualquer assomo de vida humana, calcorreando caminhos, veredas, atalhos e trilhos quase indecifráveis, encontro-me com o mais telúrico, criando lugar para a reflexão, para o sentido mais despojado, para a compreensão mais simples do mundo.

Posso, então, absorver do que me envolve e criar dentro de mim, energia para algum entendimento da minha própria natureza, quiçá, para algum entendimento da própria Humanidade.

Depois, imbuída do azul e verde, apanágio dos regatos e das árvores, do orvalho e da clorofila, regresso -por fim- aos circuitos de todos os dias com mais de mim, porventura, um pouco renovada, para então -melhorada na minha própria versão- me partilhar com os que me rodeiam.




RETROSPECTIVA...

Olho para trás…
quase 365 dias antecedem o dia de hoje…
Inevitavelmente, recordo-os…
quase um a um…
os dias bons
os dias muito bons
os dias maus
os terrivelmente maus
aqueles sem qualquer história especial…
.
Observando bem uma boa parte do meu ano
saltaria de bom grado, afoita e veloz, a linha da minha vida
assim à laia de regato que se ultrapassa de uma assentada só
não se desejando molhar o pé na água gélida…
.
           [[porventura serei injusta…
           quantas manifestações de carinho ou simplesmente de apreço perderia
           quantas vivências, experiências, cumplicidades, descobertas…
           ou apenas o processo de reaprender a Ser…
           Evitaria porém algum sofrimento
           a dor da perda
           a tristeza e a solidão de alguns dias
           as palavras justas ou injustas que se ouviram ou proferiram
           as ideias mal formadas, as dúvidas, as inseguranças, os insucessos…]]
.
Olho para os 365 dias que antecedem o dia de hoje e,
não conseguindo de todo evitar,
balanço sobre os tempos mais ou menos longos, mais ou menos breves
num limbo desconcertante ou
talvez
numa espiral que rodopia incessantemente e me deixa afogueada
.
O que senti?
O que mudei nos outros?
O que fiz?
De que gostei?
O que recebi?
O que mudei em mim?
Como me dei?
.
Faço um balanço e tento descortinar
um momento -verdadeiramente Bom!-
nos 365 dias do meu ano
um momento único
meu, só meu
.
Descubro-O!
De tão simples, quase nada para contar!
A melodia suave e envolvente…
A penumbra reconfortante, também…
O calor acolhedor…
A ternura do acalento…
E sobretudo a Paz, quase palpável de tão presente!
.
Olho esses momentos breves com olhos de saborear…
Senti-me Feliz nesses instantes fugazes,
tão leve… sem pressões no coração,
sem pensamentos duros, sem mágoas…
leve…
tão leve de tudo…
que não e apenas
a melodia suave,
a penumbra reconfortante,
o calor acolhedor,
a ternura do acalento
a partilha do próprio momento…
tão leve de tudo
talvez até, de nada em especial!
.
Olho os meus (quase) últimos 365 dias e elejo um momento eterno
que de tão simples, tão singelo
e, afinal, tão especial
quase nada tenho para contar!


(texto adaptado e revisto-2016)

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

...o último estertor...



...Amor filial.... (ainda e sempre a Poesia dos meus cogumelos)



...quando a Natureza é uma tela...




























- ALMA SERRANA - A Urze Rosa


 Do rosa ao roxo,
como se a vida se vivesse numa só estação...

Florir-me, suave e pura
–tão suave, tão pura-

Abrir-me em tons fortes...seduzindo com o meu ar maduro
Quem esvoaça em meu redor em busca dos segredos que encerro...

Perder-me no Verão
-e na vida-,
já carregando a cor forte e escura de quem
absorveu a sabedoria que é a dos montes e a do vento...
a das cabras e das abelhas.

A da chuva e a do sol intenso...








...delicadeza...


(ainda e sempre) a insustentável leveza do Ser...


...os meus cogumelos têm Poesia... (18)


Linha de Vida...(64)... orgulhosamente perfiladas ao sol...


sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Outono (2)

um olhar ao natural sobre o Outono...
(ou... como as cores 
de Outono se bastam a si mesmas!!!)


Autoria e Agradecimento

Todos os textos e imagens são de autoria de Ana Souto de Matos.

Todos os direitos estão reservados.

São excepção as fotografias do Feto Real e do Cardo que foram cedidas pelo João Viola e 2 imagens captadas na Net sem identificação de autor.