sexta-feira, 11 de maio de 2007
quinta-feira, 3 de maio de 2007
Mãe-Natureza
Comparar a Vida que me deste
com a Natureza que me cerca
É o teu verde que me preenche
É de ti que nasce a profusão do meu ser.
É de ti que brota a água... o azul
que me completa
que me inebria.
Escrevo e reescrevo...
numa ânsia de alcançar a perfeição suprema de
dizer Tudo numa só palavra
Vida?
Natureza?
Mãe!
Mãe!
Mãe-Vida
segunda-feira, 30 de abril de 2007
Em azul...
Em azul...
do mar?!
- Serei grumete?
- Comandante?
Do céu?!
- Serei pássaro?
- Nuvem?
- Simplesmente aragem?
Ou dos olhos
Que me contemplam
Com amor?!
De azul...
Visto o meu corpo
E o meu sentimento
E é ar
E é imensidão...
E perco-me em voo de liberdade
No espaço
No tempo
Na vida
Em azul...
Da água?!
Que bebo
E me sacia
Ou dos olhos
Que me afagam
Onde mergulho
Onde me afogo?
sexta-feira, 27 de abril de 2007
Faltava o xisto...
Faltava o xisto
Essa pedra negra que completa o puzzle
Que sou eu,
que é esta ligação íntima com a montanha
esta relação cúmplice
de mulher que
assumiu a serra como sua
este elo com a natureza
esta alma intensa, mas porventura agreste
dobrada pela vida
esta alma intensa, mas porventura agreste
dobrada pela vida
O xisto, negra rocha da lousa lascada das telhas, dos quadros polidos de escola…
a pedra em que por vezes me transformo,
por fora
só por fora
a pedra em que por vezes me transformo,
por fora
só por fora
só às vezes.


Sentir TUDO
Bata com a força dos tambores em dia de festa
Tam-tam… tam-tam-tam…
-consegues ouvir?-
Sinta com vivacidade
Com cor, com cheiro, com sabor, com alma de grandes feitos
Cresça desmesuradamente
Tão grande, tão grande,
Até não caber mais no meu tórax, no espaço do meu corpo
Até emanar por todos os poros o que está lá dentro
E ficar à vista de todos, de qualquer um, de ti
-vermelho, pulsante, vivo-
Aquilo que sou, aquilo que sinto.
Alma serrana.... -A Serra-
quinta-feira, 26 de abril de 2007
Há poesia nos meus cogumelos!
não há obsessão neste olhar sobre cogumelos
nem atracção -sequer- pela sua forma fálica!
porventura a sua extrema semelhança com a vida,
com a própria essência da vida
com a perversão de não sabermos se os nossos passos nos atraem para o abismo
com a fatalidade da sua beleza
com o perigo do seu ar etéreo, frágil, às vezes quase diáfano
apesar do perigo implícito
os meus cogumelos têm poesia…
nem atracção -sequer- pela sua forma fálica!
porventura a sua extrema semelhança com a vida,
com a própria essência da vida
com a perversão de não sabermos se os nossos passos nos atraem para o abismo
com a fatalidade da sua beleza
com o perigo do seu ar etéreo, frágil, às vezes quase diáfano
apesar do perigo implícito
os meus cogumelos têm poesia…
Alma serrana.... o feto real
Alma serrana.... a dedaleira
São estalinhos? Ou estalidos?
-Ou gemidos?-
da flor ao sentir-se esmagada?
Abre-e-fecha…Abre-e-fecha
Para-cima, para-baixo
Faz boquinhas de sorriso?
Ou esgares desvairados?
Amarela ou rosada
As cores da dedaleira
Enchem de gáudio o planalto
Mas sofre
–de que maneira!-
Por a acharem engraçada!
Alma Serrana.... o cardo
Os cardos que encontro no caminho
tão agressivos ao tacto –tão ariscos-
mas
-mesmo assim-
Com uma beleza que não sobressai ao primeiro olhar
-diriam genuína, assaz rude, assaz pura-
Poderiam ser o símbolo da alma serrana
Que não se vende, que não se dá
Sem prova de confiança ou lealdade
Como a relação íntima com a natureza
Em que os espinhos não picam, mas protegem
tão agressivos ao tacto –tão ariscos-
mas
-mesmo assim-
Com uma beleza que não sobressai ao primeiro olhar
-diriam genuína, assaz rude, assaz pura-
Poderiam ser o símbolo da alma serrana
Que não se vende, que não se dá
Sem prova de confiança ou lealdade
Como a relação íntima com a natureza
Em que os espinhos não picam, mas protegem
Alma Serrana.... a urze rosa
como se a vida se vivesse numa só estação...
Florir-me, suave e pura
–tão suave, tão pura-
Abrir-me em tons fortes...seduzindo com o meu ar maduro
Quem esvoaça em meu redor em busca dos segredos que encerro...
Perder-me no Verão
-e na vida-,
já carregando a cor forte e escura de quem
absorveu a sabedoria que é a dos montes e a do vento...
a das cabras e das abelhas.
A da chuva e a do sol intenso...
Alma Serrana.... a urze rosa
como se a vida se vivesse numa só estação...
Florir-me, suave e pura
–tão suave, tão pura-
Abrir-me em tons fortes...seduzindo com o meu ar maduro
Quem esvoaça em meu redor em busca dos segredos que encerro...
Perder-me no Verão
-e na vida-,
já carregando a cor forte e escura de quem
absorveu a sabedoria que é a dos montes e a do vento...
a das cabras e das abelhas.
A da chuva e a do sol intenso...
Alma Serrana.... a urze rosa
como se a vida se vivesse numa só estação...
Florir-me, suave e pura
–tão suave, tão pura-
Abrir-me em tons fortes...seduzindo com o meu ar maduro
Quem esvoaça em meu redor em busca dos segredos que encerro...
Perder-me no Verão
-e na vida-,
já carregando a cor forte e escura de quem
absorveu a sabedoria que é a dos montes e a do vento...
a das cabras e das abelhas.
A da chuva e a do sol intenso...
Para entender, ou talvez não!
Têm de resplandecer e mostrar a beleza que possuem.
Procurar e recuperar a frescura dos adolescentes pensamentos,
quando a alma ainda não estava corrompida,
o pensamento gasto e o coração acumulado de esperanças, gordas!... cheias!... fartas!...
mas tão somente!
É um dever esta busca, uma obrigação e um compromisso.
Irem ao encontro da luz e charfurdarem-se nela até absorverem toda a sua claridade.
Sim, os olhos têm de absorver toda a luz possível.
Assumi-la.
Possui-la.
Transformá-la.
Reparti-la.
Comungá-la.
Partilhá-la.
Então, e só aí, terão cumprido a sua missão.
Maria da Serra Verde
terça-feira, 24 de abril de 2007
Alma Serrana.... a urze branca
Zunem em redor de mim
Cheiram-me e tocam-me
Levam-me consigo
Uma após outra
Num afã constante e insistente
Transformam em néctar escuro as minhas pálidas cores,
num paladar onde a doçura se esconde
subtilmente
na agressividade do travo,
-tal como a serra onde cresci ao sol tórrido e à neve gélida
E onde
um dia morrerei
feliz de ter cumprido o meu destino -
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Autoria e Agradecimento
Todos os textos e imagens são de autoria de Ana Souto de Matos.
Todos os direitos estão reservados.
São excepção as fotografias do Feto Real e do Cardo que foram cedidas pelo João Viola. As raras imagens captadas na Net com e sem identificação de autor, encontram-se devidamente referenciadas.
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