quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
terça-feira, 3 de novembro de 2009
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
solidão absoluta é isto!
Para mim é uma perplexidade que simplesmente não compreendo.
Como é possível, alguém morrer num apartamento e o seu corpo apenas ser encontrado dois anos após?
Tinha família, dizem.
Os vizinhos não notaram nada, afirmam.
Como é possível, alguém morrer num apartamento e o seu corpo apenas ser encontrado dois anos após?
Tinha família, dizem.
Os vizinhos não notaram nada, afirmam.
Um homem morreu na completa solidão. Tal, ainda se entende. Pode acontecer a qualquer um não ter com quem compartilhar o seu último acto.
Porém, que ninguém se tenha apercebido que este homem já não existia e que já não fazia parte das suas vidas, é que eu não compreendo. Nem a mulher ou os filhos, nem um amigo, um conhecido que fosse, nem o homem da padaria ou da tabacaria ou porventura o vizinho do rés-do-chão posterior. Ninguém sentiu a falta deste homem.
Como é possível? Que alguém tenha morrido num apartamento de um prédio de 03 ou 04 andares e ninguém, absolutamente ninguém, tenha notado a sua ausência, o seu silêncio.
Um esquecimento tão total, uma indiferença tão absoluta que causa mágoa.
Desculpem, mas esta custa-me mesmo “a engolir”.
E acreditem ou não, chorei por esse homem desconhecido e pela sua solidão atroz.
Vivemos num mundo que qualquer história que imaginação fértil invente, não supera a realidade nua e crua dos quotidianos.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
lua cheia...
É contemplando-a que alcançamos os olhos dos outros...
terça-feira, 22 de setembro de 2009
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
terça-feira, 15 de setembro de 2009
o papagaio de papel
E
se o meu peito se abrisse de par-em-par
e ele próprio fosse
uma janela aberta ao mundo?
E
se do meu peito rasgado não jorrasse sangue
nem se descortinassem músculos
ou sequer o coração
mas se transformasse, peça-a-peça
num enorme papagaio de papel?
E
se alguém –simplesmente-
cortasse a aorta como quem corta
o cordel do enorme papagaio de papel
em que se transformasse o meu peito?
E
se o meu peito transformado ave
se soltasse em direcção ao céu?
Livre, livre…
sábado, 12 de setembro de 2009
a escola dos meninos perdidos...
mas a imagem poderia ter sido captada noutra qualquer ou até numa das dúzias de aldeias igualmentes esquecidas que povoam a minha serra da Lousã...
imagens de escolas em terras perdidas de mestres, de meninos, de gente...
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
com a torga à cabeça...
Com a torga à cabeça -raiz pesada da urze das encostas da serra do Alvão- a mulher posa para a fotografia. Desinibida e feliz por ser importante para mim.
Naquele preciso momento, faz-me feliz por a registar e sente-se feliz por a acharem bonita -que faço questão de lhe afirmar e louvar a beleza!-.
Os seus traços rudes mostram a crueza da vida e tornam-na perfeita aos meus olhos...
sábado, 5 de setembro de 2009
O Burro Xico...
O Burro Xico mora para ali para os lados de Miranda do Corvo,
no Centro Hípico da Quinta da Paiva...
Se existe criatura à face da Terra com a qual me identifique é com o Burro Xico...
Meigo...
Fiel...
Teimoso... (Tenaz? Persistente?)
Inteligente...
Constante...
sempre burro, todavia...
É certo que não fala, que não pensa
Se existe criatura à face da Terra com a qual me identifique é com o Burro Xico...
Meigo...
Fiel...
Teimoso... (Tenaz? Persistente?)
Inteligente...
Constante...
sempre burro, todavia...
É certo que não fala, que não pensa
-dizem!-
mas gosta das minhas cenouras e...
mas gosta das minhas cenouras e...
dos meus afagos...
O Burro Xico é um amigo para a vida...
O Burro Xico é um amigo para a vida...
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
terça-feira, 25 de agosto de 2009
e todo o mundo lá fora...
Não basta abrir a janela
para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada e, todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.
para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada e, todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.
[de Fernando Pessoa, em Ficções do Interlúdio]
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Autoria e Agradecimento
Todos os textos e imagens são de autoria de Ana Souto de Matos.
Todos os direitos estão reservados.
São excepção as fotografias do Feto Real e do Cardo que foram cedidas pelo João Viola. As raras imagens captadas na Net com e sem identificação de autor, encontram-se devidamente referenciadas.
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São excepção as fotografias do Feto Real e do Cardo que foram cedidas pelo João Viola. As raras imagens captadas na Net com e sem identificação de autor, encontram-se devidamente referenciadas.
