quinta-feira, 11 de junho de 2020

sábado, 9 de maio de 2020

...apenas...


·        Há dias que limito o meu sentir à superfície.

Ternura




















«Amo-te, disseste-me, assim! 
Sem delongas, sem toque, sem atavios a florear o momento.
Apenas os lábios a proferir a palavra e os olhos a acariciar-me o rosto.
                [Confundi-me? Seriam apenas os olhos a soletrar as letras?]

De permeio todo o espaço imenso das vidas.
O silêncio após forçou o eco das palavras no pensamento.

Diz outra vez, pedi 
                [Terei ordenado?].
Amo-te, disseste 
                [Terás obedecido?].

Enleada com a surdina da palavra, toquei os teus lábios com a ponta dos meus dedos                        [Beijando-te?] 

E sem tempo...deixei-os aí ficar, transferindo o som para dentro de mim, como se a vida e o futuro se concentrasse nessa mera palavra.»

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Quero recordar-me de ti...


Tributo e Homenagem Pessoal a Carlos Carranca

Quero recordar-me de ti, assim, a sorrir e com o jeito matreiro no olhar que por vezes surgia quando conseguias fintar os pensamentos das pessoas, sempre mais lentos do que os teus, sobretudo quando dissertavas sobre o que ou quem te enchia a Alma.

Quero recordar-me de ti e da tua expressão ausente quando te perdias em pensamentos de outras dimensões, no meio dos nossos burburinhos mundanos e eu troçava de teres voado sem asas em pleno almoço ou jantar na “Pensão Estrelinha” da Mãe-Lena (esse nome tão carinhoso que davas à Casa da tua família de coração na Lousã). Ou ainda ao jeito de tertúlia caseira, das larachas e das picardias trocadas com o Pai deMatos em torno das políticas actuais e de outrora ou das acções feitas e desfeitas em Coimbra ou da Briosa de antenho e de agora.

Quero recordar-me de ti e da forma peculiar como interiorizavas os poemas, assim numa declamação em surdina, para depois em momento próprio dizeres com voz possante, semblante confiante e mãos expressivas, as palavras de Torga ou de Leonel Neves, as toadas de Goes ou os teus próprios sentires.

Quero recordar-me de ti
e da forma como ficaste sensibilizado com o jeito como captei o fundamental dos teus poemas eleitos no momento em que apresentei os teus “55 Poemas de Idade” e de como eu, mera Aprendiz, me orgulhei do convite do Artista mais confiante nas minhas qualidades do que eu própria inquieta e receosa de não merecer tal honraria.

Quero recordar-me de ti guloso pelos sonhos, os com calda de açucar e os outros que orbitavam nas tuas ideias e que te transformavam em Quixote em plena Mancha de Unamuno.

Quero recordar-me de ti a receber orgulhoso o Prémio da terra, que é sempre um momento feliz quando se é reconhecido em vida, entre os seus.

Quero recordar-me de ti no quintal da Casa do Prilhão - de boina basca e capa sobre os ombros por debaixo da latada de videiras entrançadas nos kivis com o gato a rondar-te as pernas - acossado com as corriqueirices do quotidiano mas disperso em reflexões e considerações, conjecturas e perplexidades – porventura em confissões interiores ao teu “Cristo de barro” - … “já escrevi um livro inteiro na minha cabeça”… “chego à Lousã e escrevo, escrevo, escrevo, porque em nenhuma parte estou mais perto de mim…”, afirmavas, então, porque sentias que o centro da tua Pátria era aqui!

Quero recordar-me de ti com a admiração telúrica que se nutre pelo Irmão mais Velho, pelo Amigo, pelo Mestre e pelo Homem Bom, Grande no seu conhecimento universal de todas as coisas mas sobretudo da sua própria Natureza.

Quero recordar-me de ti através da grande Obra que nos legaste como testemunho e partilha da tua Humanidade, porque Assim!, o Poeta permanecerá, ficará para sempre pela Terra dizendo Cantigas para Sonhar(mos) e, dessa forma, de quem se despojou em vida, tornando-se eterno!


Para a Rosinha, o João, o Miguel, o Miguel B., a Judite B. e  a Tia Alcina B., a Sandra, a Xu e toda a demais família, com o carinho da ‘família da Lousã’.
Ana Souto deMatos
Lousã 01/09/2019

última aparição em sessão pública de Carlos Carranca no evento "Essa Palavra, Liberdade!" 
a 25 de Abril de 2019 no Museu Álvaro Viana de Lemos na Lousã 
por ocasião da comemoração dos 45 anos do 25 de Abril 



quinta-feira, 29 de agosto de 2019

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Ficção Científica!


Teletransporto-me para junto de ti e agarro-me segura ao teu peito firme.

Aconchegados no colo um do outro percorremos a galáxia para além da última das últimas estrelas.

Não evitamos cometas, nem colisões com os meteoros...

Uma viagem sideral para lá dos confins do universo...

Enfim, caímos na escuridão de uma nova, que nos suga e absorve no seu buraco negro até adormecermos exaustos da viagem galáctica.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

[diálogos (2)] ...uma espécie de Marca...


- Estás com um olhar tão ausente daqui, mas tão preso num qualquer  lugar.... - A Amiga proferiu para o ar, não esperando resposta.

Do outro lado porém, assim confrontado, o olhar focou-se de novo na realidade:
- Alguma vez tiveste alguém perto de ti, tão perto… os joelhos no solo, sobre a relva... tu, sentada no banco de jardim… a sua cabeça pousada nas tuas pernas, numa atitude de dádiva, de despojo? Assim tão próximo num momento de oferta de si em silêncio “aqui estou, mostro-me a ti, recebe-me como sou. Aqui estás, mostra-te a mim, aceito-te como és”? Alguma vez, assim num-sentir-sem-palavras, na plena sintonia desse toque breve?  Apenas o rosto sobre os teus joelhos… num momento tão, tão simples mas tão, tão intenso, que os escassos  minutos se tornam marca eterna gravada no coração e no pensamento? Alguma vez? - repetiu.

Maria abanou a cabeça numa negativa sem inveja, antes de desejo de ter vivido ou alguma vez poder viver algo de semelhante….

- Eu tive esse momento… faz muito, muito tempo, mas permanece ainda… permanecerá sempre.

De permeio, entre ambas apenas o silêncio e a imaginação a galgar os anos.

Insistiu: - Será  que compreendes?
A Amiga pensou compreender!

quarta-feira, 28 de março de 2018

Há gestos que iluminam os dias sem sol...


"Junquem de flores o chão do velho mundo:
Vem o futuro aí!
Desejado por todos os poetas
E profetas
Da vida,
Deixou a sua ermida
E meteu-se a caminho.
Ninguém o viu ainda, mas é belo.
É o futuro...."
.
Miguel Torga 


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[Há prendas boas...daquelas que iluminam o dia! Mesmo os dias sem sol! 
Em formato de Poesia, dizem tanto, dizem mais ainda...
Obrigada Teresa]
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sábado, 30 de dezembro de 2017

Olho para TI....

olho para TI…
O meu CORAÇÃO inquieta-se

olho para TI…
E não sei dizer o tempo deste SENTIMENTO… 
                   (desde SEMPRE, é muito tempo?)

SEI –todavia- 
que qual pequena NASCENTE que brota do degelo após o Inverno frio
e, num repente, já é regato
e, logo depois se transforma em riacho
este SENTIMENTO flui como um RIO nas minhas veias, atravessa o PENSAMENTO e alcança o CORAÇÃO.

olho para TI
e, num instante, já te transformaste em SEMENTE que com a água germinou e cresceu planta, depois ramos, a seguir ÁRVORE, enfim FRUTO.

olho para TI
E és PEDRA, ROCHA, negras penedias em XISTO, aldeias escondidas na SERRA, escarpados vales VERDES, cobertos de FLORESTA.

olho para TI
E reconheço-TE minha… 
                    [Sabes? 
                    É que tu e eu temos a mesma ALMA SERRANA, aquela que se entrega só        depois de prova de LEALDADE, 
após as tempestades invernosas e o ardente estio, 
florindo só então –C O N F I A D A M E N T E- nos tons rosas e  roxos da URZE bravia que, mais tarde, se transforma em travo agridoce de MEL.]

olho para TI
E vejo GENTE BOA, daquela gente que abre os braços para acolher quem a procura…
daquela gente que tem orgulho dos seus USOS, 
dos seus COSTUMES, 
da sua CULTURA, 
da sua HISTÓRIA, 
GENTE que tem ORGULHO em ser quem é… em ser DAQUI.

olho para TI
és o meu TEMPO sem tempo
porque tenho em mim MEMÓRIAS tuas de passado, sinto o teu PRESENTE nos meus dias 
mas é o FUTURO que  antevejo de quem deseja PERMANECER e ser FELIZ 

olho para TI
 e o meu coração inquieta-se…

Sinto que és a minha RAIZ       
O meu CERNE
A minha MONTANHA
O meu TRILHO
A minha CASA
A minha FAMÍLIA
A minha VIDA.

olho para TI 
e sinto A M O R
A M O R

E, o meu amor tem NOME PRÓPRIO!
Sabes que falo de ti, não sabes?

Natural e Simplesmente 
És  (a) Minha
LOUSÃ!



Tributo à Lousã, enquanto sentido de Vida!
Ana Souto de Matos
Dezembro.2017

quarta-feira, 24 de maio de 2017

...O Mundo é um lugar estranho...



O Mundo às vezes magoa-me ao contrariar-me na minha visão de ser e de estar.

Ofende-me ao amputar-me os sonhos de uma Humanidade de Bem.

Susceptibiliza-me ao turvar o meu jeito de acreditar nas coisas e nas pessoas, em que prevalece o sentido do que é belo ou gentil ou luminoso ou terno ou tolerante ou na mesma linha de conduta, princípios e valores que se aprenderam e interiorizaram como válidos e próprios, numa cumplicidade de respeito e integridade pela Natureza, por nós e pelos outros.

O Mundo ofende-me ao fazer o elogio da pura maldade, da violência, da intolerância, da incompreensão, aberrações ao meu sentido quase estético de O idealizar.

O Mundo melindra-me com o seu mistério de construção que implica atrocidades e desvarios e que me constrange em perplexidades perante a pura iniquidade.

Quem definiu os conceitos? Como se estabilizaram estes, ao longo de todos os tempos, em torno do que foi e é considerado o Bem ou o Mal se o que prevalece é o negro e este impera sobre tudo como névoa nefasta?

O Mundo destrói-se a si próprio.

Não sou utópica, não sou ingénua. 
Para haver o entendimento do sentido das coisas há que compreender a contradição, o reverso, a antítese, muitas vezes os “antípodas” das acepções do que existe ou pode existir, dos factos, dos acontecimentos, da própria espécie.

Contudo, há dias em que não é fácil acreditar em quer que seja, sobretudo perante um mundo doente, cada vez mais doente em que a metástase da doença se propaga funestamente a rapidez sónica.

Talvez seja esse o propósito: a inexorável destruição final e, a visão do Apocalipse há séculos anunciada, seja a verdadeira solução que determina uma nova era. 

Terminarmos, enfim, numa grande Nova que dê origem a uma outra e renovada dimensão, porventura sem conceitos que a rotulem e condicionem.

É este o Mundo que criámos à imagem e semelhança dos mesquinhos mortais que somos?




















domingo, 21 de maio de 2017

a Natureza faz-me feliz...

A Natureza faz-me feliz!....

(e, por vezes...por vezes, de quando em quando... A das Pessoas, também)








Autoria e Agradecimento

Todos os textos e imagens são de autoria de Ana Souto de Matos.

Todos os direitos estão reservados.

São excepção as fotografias do Feto Real e do Cardo que foram cedidas pelo João Viola. As raras imagens captadas na Net com e sem identificação de autor, encontram-se devidamente referenciadas.