domingo, 12 de julho de 2009
sábado, 11 de julho de 2009
o "mar" mesmo aqui ao lado...
Tentando criar raízes na serra, sinto que o mar chama por mim muitas vezes…
Sou uma mulher que nasceu e cresceu junto ao mar...
Acabo por ficar com pele de índia -não obstante a permanência debaixo do chapéu ‘made in spain’ e do factor 50 do protector solar-.
Sou uma mulher que nasceu e cresceu junto ao mar...
O mar acalma-me e tranquiliza o meu espírito em eterna ebulição…
Porém, este dista duas horas -bem contadas- da minha serra e chegar até ele em dia de fim-de-semana é violento, isto é, se quero sentir os primeiros raios que não me deixam a pele tisnada…
Porém, este dista duas horas -bem contadas- da minha serra e chegar até ele em dia de fim-de-semana é violento, isto é, se quero sentir os primeiros raios que não me deixam a pele tisnada…
Por isso, opto pela “praia” das Rocas, aqui bem ao lado e que me permite um marejar a quinhentos metros de altitude -bem medidos-.
O dia passa-se… as crianças distraem-me…
quase me esqueço dos dias, que ficam ali ao lado, do outro lado da serra…
Apesar do ardor, o avermelhado amansa o ar habitualmente meio ensonso da minha quase total brancura.
A imensa piscina das Rocas está enquadrada no meio da vila e esta no meio da serra…
a frescura da água recorda-me que a Ribeira de Pera é a fonte permanente da praia, numa corrente que vem directamente do cimo da montanha…
Hoje, a praia apesar do calor intenso está tranquila, longe dos dias de imensidões de banhistas e veraneantes.
a frescura da água recorda-me que a Ribeira de Pera é a fonte permanente da praia, numa corrente que vem directamente do cimo da montanha…
No alto de Santo António da Neve, o Encontro dos Povos Serranos distrai o povo da opção balnear. Ainda bem… as centenas de pessoas que, mesmo assim, languidamente se esticam ao sol, não são em número suficiente para me acossar o espaço e a intimidade.
É bom chapinhar por ali, quase ao despique com os pássaros que passam o dia a fazer voos rasantes e, mergulhar nas ondas mais alterosas criadas por equipamento sofisticado importado expressamente de países nórdicos (!!??)…
E apesar do “mar” das rocas ser uma espécie de sucedâneo do mar autêntico, o dia é agradável e, por horas, quase me esqueço do verde e mergulho no azul.
domingo, 5 de julho de 2009
O Tesouro!
arrancada a um sono já ligeiro, o desafio surgia ao meu ouvido...
"vamos andar?"...
fomos... com o mesmo jeito, com o mesmo estilo...
manhã fresca e cinzenta...serra acima...
o passo lento inicial assumindo uma marcha firme, após...
o som da música a cadenciar-nos...
e ao longe, o nosso castelo a surgir -encantado!- por entre a névoa, enquanto um ténue chuviscar não nos demovia do intento de avançar pelo percurso definido...
[[nestes momentos, os laços apertam mais um pouco...
num aperto que não magoa, nem sufoca...
a amizade consolida-se -nestes instantes- e torna-se ela própria fundamental aos dias...
pelo caminho, de tudo um pouco... o estar e o ser, o pensar e o querer, num conjunto de cumplicidades que são só nossas...]]
os leves chuviscos tranformam-se em chuva...
molham-nos o cabelo, a roupa...
brincamos com a situação...
sentimo-nos deusas do tempo...
purificamos a pele e a mente...
está calor...
e no meio da nossa natureza
-que ousamos perturbar na sua perfeição-
descobrimos as pedras preciosas,
gentilmente depositadas em toda a sua simplicidade e esplendor por sobre as folhas do caminho...
a natureza tem formas subtis de nos dar respostas!!!
[[nestes momentos, os laços apertam mais um pouco...
num aperto que não magoa, nem sufoca...
a amizade consolida-se -nestes instantes- e torna-se ela própria fundamental aos dias...
pelo caminho, de tudo um pouco... o estar e o ser, o pensar e o querer, num conjunto de cumplicidades que são só nossas...]]
os leves chuviscos tranformam-se em chuva...
molham-nos o cabelo, a roupa...
brincamos com a situação...
sentimo-nos deusas do tempo...
purificamos a pele e a mente...
está calor...
e no meio da nossa natureza
-que ousamos perturbar na sua perfeição-
descobrimos as pedras preciosas,
gentilmente depositadas em toda a sua simplicidade e esplendor por sobre as folhas do caminho...
a natureza tem formas subtis de nos dar respostas!!!
quando a natureza se transforma numa tela (os cardos)...
Os cardos que encontro no caminho
tão agressivos ao tacto –tão ariscos-
mas -mesmo assim-
com uma beleza que não sobressai ao primeiro olhar
-diriam genuína, assaz rude, assaz pura-
poderiam ser o símbolo da alma serrana
que não se vende, que não se dá
sem prova de confiança ou lealdade
como a relação íntima com a natureza
em que os espinhos não picam, mas protegem!
de que é feita a vida?....................
A vida é feita de nadas...
de grandes serras paradas,
à espera de um movimento...
de grandes serras paradas,
à espera de um movimento...
(excerto de Bucólica - Miguel Torga)
quinta-feira, 2 de julho de 2009
A minha própria natureza...
com a minha serra
eu aprendo a ser Mulher!
-
e à Natureza...
-à minha própria Natureza???-
à Natureza eu vou buscar a frescura e a inquietude... a força...
para respirar,
para sorrir,
para sonhar,
para acreditar,
para viver!
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Asas...
Hoje!
No dia de hoje algo mudou...
nas minhas costas
-ainda ténues e tenras-
umas asas crescem!
damo-nos a conhecer aos outros de muitas e variadas maneiras...
o que julgamos ser,
o que ansiamos ser,
o que não somos...
pelo meio...
borrifamo-nos com pós mais ou menos cromáticos de ideias e pensamentos...
compomos personagens... criamos situações...
baralhamos sistemas e processos...
complicamos e simplificamos...
somos muitos num só... ou um só transformado em muitos...
-precisamente no dia de hoje!-
o espírito nómada do varekai entranhou em mim...
ainda sinto, a espreitar-me num canto da minha mente...
o Ícaro louro e imberbe, de tez clara...
a espicaçar-me e a mostrar-me asas...
[sim! porque nesta história Ícaro não morre despaçado no chão
por conta de um sonho vão... dão-lhe final feliz junto da sua amada]
e sinto que 'em qualquer lugar' da minha própria história eu vou encontrar-me e Ser... simplesmente Ser...
porque as asas...
as asas
já as sinto!
domingo, 28 de junho de 2009
Uma noite de SONHO!
Apesar de o Sonho ser pago –a peso quase de ouro!- sinto que vale a pena esquecer por uns cento e vinte minutos que a vida lá fora é escassa…
Viver um serão no ‘Cirque du Soleil’ é como entrar dentro do próprio sol, em algo de grandioso, de feérico. É como entrar numa enorme cabeça dimensionada ao 'plateau'… onde faunos, duendes, fadas, monstros do fundo dos mares, personagens mitológicas, outras caricaturadas do nosso quotidiano, se misturam e se interagem e se transformam num ritmo frenético e criam um espectáculo de som, de luz, de imagem, de teatro, de artes de circo elevadas à sua expressão máxima de realização… um espectáculo onde tudo se complementa e nos transmite cor, encantamento, magia, esquecimento, alegria.
E, de repente, esqueço-me da vida de todos-os-dias e abro a boca de espanto e sinto-me de novo menina pequena, cheia de ideias, com o pensamento repleto de coisas doces, de coisas boas, daquelas que aconchegam e acalentam… e perco-me, completamente, na floresta mágica de bambus, com as luzes dos pirilampos a confundir-me o olhar, as imagens tétricas de seres reinventados que misturam o real com a imaginação e nos transformam a nós, espectadores ávidos de sonhos, em personagens da história que se desenrola em palco… e a música, que é extremamente envolvente, cantada ao vivo, permite sentir que é ali –naquele preciso momento, naquele instante!- que o Sonho decorre e flui… assim como fluem pelo ar seres sem asas que permitem que o seu adejar quase nos toque os cabelos… seres que voam sobre nós, deixando que a brisa do seu rasto nos entre pelos olhos dentro, também ela, mágica. Varekai, a palavra dos povos nómadas para definir ‘em qualquer lugar’. E é aí, em qualquer lugar, que existe e encontramos o Sonho, que tanto pode ser absurdo como absolutamente extraordinário, minúsculo ou grandioso, transcendente a tudo ou apenas inerente a nós próprios…
A meu lado, a minha criança está em perfeita sintonia comigo e com o Sonho. Estamos no sítio certo e partilhamos o momento certo. Só com ela faz sentido este momento.
E por momentos, a sensação de que vivo numa outra dimensão. Esqueço-me de ovacionar… "interiorizo-me" nestes seres quase etéreos que se espraiam pelo espaço. Por todo o espaço! Porque todos os elementos se completam e se interligam, a música enche os sentidos, a luz ou a escuridão enchem os sentidos e a própria história que nos vai sendo contada nos enche os sentidos… uma história de Amor… de um Ícaro que percorrendo o céu do seu próprio Sonho, perde as asas mas alcança o sentimento máximo do amor correspondido.
Pagamos por duas horas de Sonho… espectáculos repletos –esgotados- a justificar a ideia de que o mundo, as pessoas, precisam de Sonho para viver, mas já não sabem dar vida aos seus próprios sonhos.
Vale a pena. Vale o dinheiro. Nada como entregar a profissionais, competências que já não dominamos.
Não posso tirar fotografias ao Sonho… trago-O comprimido em caixinha digital para tentar reviver e partilhar o momento… sei, porém, que nada será igual. O momento já passou.
No dia seguinte, passo pelo recinto do circo, o Grand Chapiteau… desmontam o Sonho a grande velocidade. Dezenas de contentores se perfilam no espaço para O encaixotar e levar para outras paragens distantes onde haverá outros que pagarão para O sentir por duas horas. Foram realizados os últimos espectáculos em Lisboa. Chove intensamente… desapareceu a imagem do saltimbanco, do fauno, dos peixes coloridos, dos duendes e da fada de olhos cintilantes… não há música, nem cor, nem magia… só o cinzento do céu, o branco da tenda gigante e a ponte ao fundo que entre a névoa parece uma miragem…
Na minha cabeça persiste, porém, a imagem clara quase imberbe, de um Ícaro feliz.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
são os outros uma miragem?
as pessoas esqueceram-se de sentir...
esqueceram o modo...
no afã do quotidiano...
e a mera afirmação do sentimento é tão extraordinária...
que se torna quase algo alternativo
subversivo diria, em muitos casos
existimos para os outros
ou somos meras miragens?
esqueceram o modo...
no afã do quotidiano...
e a mera afirmação do sentimento é tão extraordinária...
que se torna quase algo alternativo
subversivo diria, em muitos casos
existimos para os outros
ou somos meras miragens?
quarta-feira, 24 de junho de 2009
domingo, 21 de junho de 2009
quarta-feira, 17 de junho de 2009
interregno...
não quero mais a flor nem a palavra
quero a raiz ou o silêncio da terra
quero a raiz ou o silêncio da terra
de Maria Toscano...
domingo, 14 de junho de 2009
a ponte é uma miragem...
Porém, foi o nevoeiro intenso que nos acolheu e nos abraçou numa praia completamente deserta, a justificar o desnivelamento de todo um país que se transladou para Sul, para Alentejos e Algarves de sóis e mares mais quentes, seguramente!
O anfitrião faz-nos as honras da casa… afinal, somos veraneantes em terra alheia, para além de que a amizade ainda tem posto por estas bandas … comemos frango e rojões e um pão com chouriço divinal ainda quente a sair do forno. É uma festa acolhedora, como são acolhedores os amigos que nos recebem.
Porém, para nós uma viagem mais ou menos longa nos espera e a noite já caminha para o novo dia.
Nos ouvidos ainda nos ecoa, ao longo dos quilómetros que palmilhamos, os sons melodiosos. E para combater o sono que teima em se instalar, vamos trauteando “a ponte é uma passagem para a outra margem”…
...”a ponte é uma miragem”!
assumida verdade da minha vida...
quinta-feira, 11 de junho de 2009
e não é o verde...
Da varanda,
o olhar prende-se mais além...
porém...
não contempla a serra.
Sente o Rio! A outra margem! A Água!
Vê o Mar!
e não é o Verde...
é o Azul!
... que entra e
se espraia pelos olhos dentro!
o olhar prende-se mais além...
porém...
não contempla a serra.
Sente o Rio! A outra margem! A Água!
Vê o Mar!
e não é o Verde...
é o Azul!
... que entra e
se espraia pelos olhos dentro!
terça-feira, 9 de junho de 2009
até depois...
em dias de chuva e nevoeiro
as montanhas estão impedidas
de contemplar
o horizonte!
os pássaros resguardam-se nas árvores
as flores encolhem-se sobre si próprias
a própria natureza adia a vida!
as montanhas estão impedidas
de contemplar
o horizonte!
os pássaros resguardam-se nas árvores
as flores encolhem-se sobre si próprias
a própria natureza adia a vida!
domingo, 7 de junho de 2009
excesso de natureza...
Tal como eu me extasiei, conduzida pelas mãos carinhosas de amigos transmontanos que comigo quiseram partilhar a amplitude do espaço, as margens onduladas, recortadas e esfuziantes do Douro… ondas verdes, contrastando com o azul intenso do rio e a névoa acinzentada dos montes mais ao longe.



quarta-feira, 3 de junho de 2009
Montanhas...
poesia a propósito de Montanhas...
1.
Quando uma montanha se apaixona tudo pode acontecer...
Começar aos saltos ou
então ficar para ali deitada a olhar as nuvens.
Convém por isso não a escalar nesses dias e
sobretudo não beber água das suas nascentes.
2.
As montanhas apaixonam-se com frequência.
Vestem-se de branco. De verde ou de azul.
Por vezes abrem as pálpebras. E a lava da sua paixão corre-lhe pelas faldas.
terça-feira, 2 de junho de 2009
saudades de ser feliz!
Tenho saudades de ser feliz...
de ser completa.
Saudades,
de olhar o caminho e a vida não apenas com os meus olhos.
Saudades
de um abraço inteiro.
Saudades de
partilhar a intensidade dos dias,
de repousar o rosto no peito e
aí adormecer tranquila
ou de entregar, sem pudor,
os medos e os choros
Tenho saudades
de me perder
de me encontrar
Saudades de ti.
de ser completa.
Saudades,
de olhar o caminho e a vida não apenas com os meus olhos.
Saudades
de um abraço inteiro.
Saudades de
partilhar a intensidade dos dias,
de repousar o rosto no peito e
aí adormecer tranquila
ou de entregar, sem pudor,
os medos e os choros
Tenho saudades
de me perder
de me encontrar
Saudades de ti.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
deve haver ilhas para lá do sul das cousas...
(de Álvaro de Campos)
«Abrigo no peito, como a um inimigo que temo ofender,
um coração exageradamente espontâneo.»
um coração exageradamente espontâneo.»
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Autoria e Agradecimento
Todos os textos e imagens são de autoria de Ana Souto de Matos.
Todos os direitos estão reservados.
São excepção as fotografias do Feto Real e do Cardo que foram cedidas pelo João Viola. As raras imagens captadas na Net com e sem identificação de autor, encontram-se devidamente referenciadas.
Todos os direitos estão reservados.
São excepção as fotografias do Feto Real e do Cardo que foram cedidas pelo João Viola. As raras imagens captadas na Net com e sem identificação de autor, encontram-se devidamente referenciadas.