Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011

dark light (in)side

pisámos um risco
qualquer,
subtil, ténue, despercebido
um risco imaginário
da fronteira da nossa
escuridão interior
e, agora...


e agora que saboreámos
o avesso de nós próprios

e provámos o sabor
de cada um no outro
fomos marcados com
esse sabor de saliva e plasma
e, agora...


e agora que nos perdemos
(e nos encontrámos)
um no outro
sem retrocesso,
um qualquer retorno, solução,
ou desvanecimento
o escuro envolveu-nos
e tomou-nos como seus

e arrebatou-nos
enlaçou-nos
um escuro quente
fluído
num calor de breu
e seiva que
acalenta
alvoroça
assombra
entontece
instiga
alivia
engrandece
sacia
e, agora...


e agora que nos perdemos
dentro um do outro e que
ultrapassámos um
limite qualquer
subtil, ténue, despercebido e
sem retrocesso possível
encontramo-nos
enfim!
em nós
e, bem cá dentro dos
nossos seres
resguardados na
mais profunda escuridão
sentimos
e somos
LUZ

inspirações em torno da
tela: O Corpo 
deMatoscolecção particular

1 comentários:

Jorge Gonçalves disse...

E agora que nos perdemos, só nos resta reencontrarmo-nos!
Lindo, Ana!